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sábado, 6 de outubro de 2012

Cordel: O cadafalso da política

Desenho de Taciane, minha filha com sete e sua amiga Bruna, de catorze anos.

Em época de eleição,
Políticos reaparecem
Para pedir nosso voto.
Com cordeiros se parecem
Pra nos adquirir confiança
E depois desaparecem.

Eles sempre se aproveitam
De quem vive na amargura:
Prometem resolver tudo
E dão até dentadura.
O povo tem neles fé
De sair dessa vida dura.

Há candidato que diz
Que é realmente Jesus:
Por nós é mesmo capaz,
Até de morrer na cruz,
Mas isso é só sofisma
Para ver se nos seduz.

E vem dizendo que tem
Pra tudo uma solução;
Basta nós votarmos nele,
Que ele é a salvação,
Porém, tornamos a vê-lo
Só na próxima eleição.

E para eles se elegerem,
De tudo são bem capazes:
Vão à rede de tevê, rádio,
Nas ruas espalhar cartazes
E até com os adversários
Chegam a fazer as pazes.

Pra cair nas graças do povo,
Fazem o que não se pode:
Beijam, cantam se sacodem,
Cumprimentam todo público,
Comem buchada de pode.

Seja elegível a deputado,
Seja ao governo estadual,
Seja também ao Senado
Ou ao Governo Federal,
A sorrelfa é a mesma,
Que é ser cara de pau.

Com discurso envolvente,
Arrebanham grã plateia,
Transformando sua campanha
Em verdadeira odisseia.
Acham-se oniscientes, pois
Pra tudo têm panaceia.

O eleitor fica perplexo
Diante de tanta arteirice,
Não é capaz de escolher
Um nessa sem-vergonhice,
Porque perdeu sua confiança
Nessa vil politiquice.

E entram em nosso lar por
Meio do rádio e da tevê:
Cada um diz ser o melhor
Tentando nos convencer
De que tem capacidade
De representar você.

Então, esteja sempre alerta,
Meu caríssimo leitor:
Você é importantíssimo
Para o País como eleitor,
Portanto faça boa escolha
Pra não votar em malfeitor.

Na propaganda gratuita,
Fazem promessa escabrosa,
Prometendo transformar
O Brasil em mar de rosa,
Mas sabemos que tudo isso
É propaganda enganosa.

E só divulgam seus números,
Mas não fazem projeto,
Querem comprar seu voto
Como se fosse um objeto
E, depois, na sinecura,
Chamam o povo de abjeto.

Os políticos são sujos:
Poluem a área ambiental,
A sonora, a aérea e,
Principalmente, a visual
E depois fazem também
A mácula intelectual.

Mesmo na democracia,
É o voto obrigatório,
Mas você pode escolher
O que achar que é notório
Pra levar nossa política
Logo para o purgatório.

Entramos em desespero
Com esta atual situação,
É roubo de toda sorte
Como foi no Mensalão.
O Brasil pode ter jeito,
Mas os políticos, não.

A justiça foi cooptada
Em toda integralidade,
Pela matreira política
Garantindo impunidade
Àqueles que cometerem
Os atos de improbidade.

Então sejamos prudentes
Na escolha de nosso voto
Para não darmos a quem
Tem um caráter ignoto
ou a alguém, que, roubar dinheiro
Público é um devoto.

Bento Sales


sábado, 22 de setembro de 2012

Insone

Desenho de Taciane, minha filha com sete anos.

Enquanto todos adormecem, eu me desperto;
Enquanto todos louvam Morfeu, eu venero Hélios;
Enquanto todos querem a noite, eu almejo o dia;
Enquanto todos não querem que a noite termine,
Eu quero que o dia chegue.
Enquanto todos estão ativos, eu estou soporativo;
Enquanto todos se levantam, eu quero me deitar;
Enquanto todos preferem treva, eu, luz;
Enquanto todos saúdam boa-noite, eu, bom-dia;
Para todos existem dia e noite, para mim, só dia;
Enquanto todos se queixam de noite mal dormida,
Eu, de noite insone;
Alguns reclamam de dormir no ponto,
Eu não durmo em nenhum ponto;
Enquanto muitos não dormem por estarem preocupados,
Eu só me preocupo em dormir;
Enquanto muitos vivem dormindo, eu vivo acordado.
Enquanto para a maioria o Sol nasce todo dia,
Para mim nunca se põe.
Enquanto muitos tomam estimulantes,
Eu tomo psicotrópicos.


Esse poema é uma reedição.

Estou também no blog do meu amigo J.R. Viviani, Vendedor de Ilusão, com um poema publicado, participando da publicação 1º Prosas Poéticas. Link http://vendedordeilusao.blogspot.com.br/2012/09/prosas-poeticas-no-4-dia-apresenta.html

domingo, 16 de setembro de 2012

Frases

Desenho de Taciane, minha filha com sete anos.
                                                       Cópia do Pensador de Rodin.


Para ser ruim com os outros, basta tratá-los como te tratam.

Quem só diz “sim” para os outros sempre diz "não" para si.

A vida é uma arte. Para viver bem, tem que ser artista.

Se dinheiro resolvesse todos os problemas, país algum teria problema, uma vez que todos têm a máquina de fazer dinheiro.

A mídia é que como o superlativo: ou eleva ao máximo ou rebaixa ao mínimo.

O Brasil ainda tem jeito, os políticos não.

A sabedoria da resposta depende da inteligência da pergunta.

Se levarmos tudo muito a sério, a vida não terá graça.

Todos estão aptos para a prática do mal, mas para a do bem, nem todos.

A vida é como andar de bicicleta: requer esforço constante, equilíbrio, não há ré e se pararmos, cairemos.

Não sou dono da verdade, mas também não sou o pai da mentira.

Somos a obra imperfeita de Deus.

Muito nos ajuda quem pouco ou nada nos atrapalha.



sábado, 8 de setembro de 2012

Solidariedade

Desenho de Taciane, minha filha com sete anos. 

A palavra-chave para a sobrevivência humana e até de algumas espécies de animais é solidariedade. Palavra oriunda do latim solidus, que significava sólido, firme, durável e, ao logo de sua diacronia, adquiriu o sentido de cooperação, colaboração.
            Vivemos em sociedade composta por indivíduos com personalidades tão distintas que, se ponderamos, distraidamente, depreenderíamos que é inviável vivermos em harmonia, todavia, a resposta para isso é solidariedade. Nós dependemos uns dois outros para sobrevivermos. Mesmo que alguém se declare independente porque se denomina autossuficiente financeiramente, ainda é dependente, pois irá sempre precisar dos semelhantes para executar algo que ele não sabe ou é incapaz de fazer, como pilotar um avião, fazer um celular, uma instalação elétrica ou hidráulica, coletar o lixo e etc..
            Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)  fundamenta e pensadores sociais como o alemão Immanuel Kant, do século XVIII e o francês Auguste Conte, do século XIX, reiteram que o homem é um ser social, ou seja, não vive só e isoladamente por longo tempo. Podemos observar que viver em comunidade solidária não é exclusividade humana. As formigas, os cupins as abelhas, por exemplo, vivem em comunidades estritamente cooperativas e organizadas socialmente: os soldados defendem a população e o patrimônio; os operários produzem e armazenam o alimento e a rainha procria. Não se pode esquecer que, diferentemente da sociedade humana, tudo isso ocorre de maneira inconsciente e instintiva, porém, todos têm consciência de que sua função é importante para o bom funcionamento deste sistema, uma vez que, se uma parte falhar, comprometerá sumariamente a vida de toda comunidade.
Sendo assim, mesmo sem percebermos, estamos constantemente sendo ajudados, cooperados pelos nossos semelhantes, por isso, temos o dever de cumprir a função social que nos cabe, visto que, assim como nossa vivência e sobrevivência depende do desempenho de outras pessoas, eles também dependem de nós, seja no nosso lar, nosso trabalho, nossa cidade ou país.
            A solidariedade é necessária para sermos uma unidade, um corpo sólido. O que nos diferencia dos demais seres sociais é não sermos solidários somente de forma instintiva, mas sim, voluntária, racional e fraterna. Um velho e sábio aforismo no ensina que “a união faz a força”. Temos de somar e dividir até nossas emoções e sentimentos: “Dor compartilhada é meia dor; alegria compartilhada é dupla alegria”. C. A. Tiedge.