Desenho de Taciane, minha filha com sete e sua amiga Bruna, de catorze anos.
Em época de eleição,
Políticos reaparecem
Para pedir nosso voto.
Com cordeiros se parecem
Pra nos adquirir confiança
E depois desaparecem.
Eles sempre se aproveitam
De quem vive na amargura:
Prometem resolver tudo
E dão até dentadura.
O povo tem neles fé
De sair dessa vida dura.
Há candidato que diz
Que é realmente Jesus:
Por nós é mesmo capaz,
Até de morrer na cruz,
Mas isso é só sofisma
Para ver se nos seduz.
E vem dizendo que tem
Pra tudo uma solução;
Basta nós votarmos nele,
Que ele é a salvação,
Porém, tornamos a vê-lo
Só na próxima eleição.
E para eles se elegerem,
De tudo são bem capazes:
Vão à rede de tevê, rádio,
Nas ruas espalhar cartazes
E até com os adversários
Chegam a fazer as pazes.
Pra cair nas graças do povo,
Fazem o que não se pode:
Beijam, cantam se sacodem,
Cumprimentam todo público,
Comem buchada de pode.
Seja elegível a deputado,
Seja ao governo estadual,
Seja também ao Senado
Ou ao Governo Federal,
A sorrelfa é a mesma,
Que é ser cara de pau.
Com discurso envolvente,
Arrebanham grã plateia,
Transformando sua campanha
Em verdadeira odisseia.
Acham-se oniscientes, pois
Pra tudo têm panaceia.
O eleitor fica perplexo
Diante de tanta arteirice,
Não é capaz de escolher
Um nessa sem-vergonhice,
Porque perdeu sua confiança
Nessa vil politiquice.
E entram em nosso lar por
Meio do rádio e da tevê:
Cada um diz ser o melhor
Tentando nos convencer
De que tem capacidade
De representar você.
Então, esteja sempre alerta,
Meu caríssimo leitor:
Você é importantíssimo
Para o País como eleitor,
Portanto faça boa escolha
Pra não votar em malfeitor.
Na propaganda gratuita,
Fazem promessa escabrosa,
Prometendo transformar
O Brasil em mar de rosa,
Mas sabemos que tudo isso
É propaganda enganosa.
E só divulgam seus números,
Mas não fazem projeto,
Querem comprar seu voto
Como se fosse um objeto
E, depois, na sinecura,
Chamam o povo de abjeto.
Os políticos são sujos:
Poluem a área ambiental,
A sonora, a aérea e,
Principalmente, a visual
E depois fazem também
A mácula intelectual.
Mesmo na democracia,
É o voto obrigatório,
Mas você pode escolher
O que achar que é notório
Pra levar nossa política
Logo para o purgatório.
Entramos em desespero
Com esta atual situação,
É roubo de toda sorte
Como foi no Mensalão.
O Brasil pode ter jeito,
Mas os políticos, não.
A justiça foi cooptada
Em toda integralidade,
Pela matreira política
Garantindo impunidade
Àqueles que cometerem
Os atos de improbidade.
Então sejamos prudentes
Na escolha de nosso voto
Para não darmos a quem
Tem um caráter ignoto
ou a alguém, que, roubar dinheiro
Público é um devoto.
Bento Sales



