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terça-feira, 1 de março de 2011

Aniversário de 15 anos



Como muitos amigos nos compartilham suas particularidades aqui (gosto disso) resolvi também fazê-lo.
Neste fim de semana (domingo), fui convidado para um aniversário de quinze anos. Quando fui escrever a mensagem no cartão, tive a idéia de pôr um poema. Procurei em livros afins e na intenet, mas não encontrei nenhum que dissesse o que eu queria dizer.  Então resolvi fazer um poema para ela. Fui me inspirando conforme o que queria falar e mostrando para as pessoas, pois achava que não estava bom. Eles me diziam que estava legal, mas eu pensava que falavam isso com pena de mim. Queria fazer na forma que lembrasse parlenda (tipo de poema infantil) para lembrar que estava saindo da infância e entrando na fase adulta. Domingo à tarde ainda estava burilando o poema porque achava que podia melhorar. Minha filha de cinco anos estava desenhando (como sempre) e me mostrou um desenho da aniversariante, então tive a idéia de colar a figura no poema para alegrá-lo mais um pouco. Imprimi o poema e coloquei no envelope junto com o cartão. Ao chegar ao aniversário, mostrei para a mãe da mocinha que ficou maravilhada. Logo me colocou na programação para homenagear a debutante. Pensei: bom ou ruim agora vai ter que servi. Chegou a minha vez (fui o último) eram quinze pessoas (número sugestivo), não deu tempo memorizá-lo (mudei muito o poema), ensaiei na fila da apresentação. Declamei o poema -ainda improvisando- e foi um sucesso, todos aplaudiram, mas não sei se foi pelo conteúdo ou pela forma. 
Como dizem que alegria repartida é dupla alegria, quero repartir com vocês, meus amigos, essa alegria.




Ontem lhe conheci princesa
E não foi impressão minha,
Com tamanha beleza,
Esperando ser rainha.

Hoje olho e lhe vejo
Que já começou a brilhar
Realizando seu desejo
Que, na vida, soube aspirar.

Mas continue dando bom exemplo
Para assumir bem sua vida
E conquistar seu templo
Porque merece, querida.

Está fazendo quinze anos,
Na vida, apenas começou
A realizar seus planos
Conforme você sonhou.

Começa agora mais uma história
De sucesso e esperança;
Sempre buscando a glória,
Pois não é mais criança.

Precisa mudar as brincadeiras
E também o pensamento,
Crer nas pessoas verdadeiras
Que lhe trazem bom sentimento.

De hoje em diante, tudo que fizer,     
Não é mais para realizar sonho de menina,
Mas sonho de mulher                         
Como você almeja e imagina.            



Poema: Bento Sales
Desenho: Taciane Sales



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Riscos de morte

Pintura feita por Taciane, minha filha de cinco anos.














                                                            
Vivo sob ameaça constante:
Não há trégua nenhum instante.                                                     
Meus antígenos lutam contra bactéria,                                            
Fungos, vírus para manter viva minha matéria.
Há riscos em toda parte onde vivo:
Sejam animais ou pessoas com quem convivo.
Estou em perigo no trânsito, (acidente de automóvel),
Até em meu lar (acidente doméstico, ruína do imóvel).
Em qualquer momento,
Pode me fazer mal um alimento.
Posso sofrer um desmaio
Ou ser atingido por um raio.
Onde eu estiver, a ameaça estará lá:
(Como uma bala perdida pode me achar).
Posso ter um problema
E entrar num dilema
E, sem saída,
Torna-me um suicida.
Sem perceber, quiçá vá profanar
E, então, Deus me matar.
Crendo ou cético,
Estou sujeito a erro médico.
Há sempre o risco de aluvião,
Outrossim, acidente de avião.
Pode ocorrer com minhas células autodestruição
Ou me tornar anoréxico e arrefecer de inanição.
É periclitante um efeito metabólico
Como também um atentado diabólico.
Mesmo não sendo atleta,
Posso sofrer acidente de bicicleta.
Minha pressão pode tornar-se alta ou fraca
Ou ser morto por faca.
Não quero agora ser tétrico,
Mas me há sempre risco de choque elétrico.
Não se pode olvidar nenhum cibalho
Como acidente de trabalho.
Se não for aplicado no promédio,
Pode me fazer mal  remédio.
Sempre ocorre catástrofe natural.
E na humanidade, colapso fatal.
Como a vida é frágil!
Posso sofrer um naufrágio.
Tânatos sempre me assedia;
Eu morro um pouco a cada dia.
Tudo isso é risco carnal
E ainda há riscos da vida espiritual,
Eterna, mental e moral.
Com tudo isso estou farto,
Mas nem posso porque senão sofro um infarto.


Eu me lembrei deste poema, que fiz há anos, depois de ler o post  "Sudden Death", de 22/02/2011, do meu  amigo Felipe, do Caixa de Pandora, para aproveitar o tema recorrente (morte) , resolvi publicá-lo.
                                                     

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Megapalavras

Pintura de Taciane, minha filha de cinco anos


A língua portuguesa é um mar que só conhecemos as águas por onde passamos diariamente, mas há lugares poucos navegados que, se não formos cuidadosos, poderemos naufragar (ou tropeçar) nas palavras, mas meu propósito aqui é meramente informativo, pois acredito que, durante toda nossa vida, dificilmente precisaremos pronunciar alguma dessas palavras (a não ser que participaremos de uma competição televisiva como Jogo do milhão ou Soletrando e etc.). Outrossim, não tenhamos medo dessas megapalavras, uma vez que podemos contrair hipopotomonstrosesquipedaliofobia, que consiste em uma doença psicológica que se caracteriza pelo medo irracional de pronunciar palavras grandes ou complicadas (número 06). 

Confira abaixo:


 

As 10 maiores palavras da língua portuguesa:


1º. Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico (46 letras):

Relativo a uma doença pulmonar aguda causada pela aspiração de cinzas vulcânicas;



2º. Paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol (43 letras):

Substância presente em medicamentos como o Ultraproct;



3º. Piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona (37 letras):

Substância presente em medicamentos como o Baralgin;



4º. Tetrabrometacresolsulfonoftaleína (35 letras):

Termo específico da área de química;



5º. Dimetilaminofenildimetilpirazolona (34 letras):

Substância ativa em vários comprimidos para dor de cabeça;



6º. Hipopotomonstrosesquipedaliofobia (33 letras):

Doença psicológica que se caracteriza pelo medo irracional (ou fobia) de pronunciar palavras grandes ou complicadas;



7º. Monosialotetraesosilgangliosideo (32 letras):

Substância presente em medicamentos como o sinaxial e o sygen;



8º. Anticonstitucionalissimamente (29 letras):

Maior advérbio da língua portuguesa, significa o mais alto grau de inconstitucionalidade;



9º. Oftalmotorrinolaringologista (28 letras):

Profissional especializado nas doenças dos olhos, ouvidos, nariz e garganta;



10º. Inconstitucionalissimamente (27 letras):

Sinônimo de anticonstitucionalissimamente.



Fonte: o livro “Os 10 mais” de Luiz de André Alzer e Mariana Claudino e wikipedia, www.wikipedia.org.



terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A tragédia

Pintura de Taciane, minha filha de cinco anos

Alexandre casou-se com Helena, sua vizinha e amiga de infância. Eles foram morar na capital, uma vez que, no interior, não havia oportunidade de estudo nem de trabalho para ambos. Ficaram um tempo na casa de um contraparente até conseguir emprego para poder alugar uma casa, o que não demorou muito para acontecer. Empregou-se numa empresa no Distrito Industrial da cidade, em turno noturno. Ela começou a fazer curso pré-vestibular. Neste ínterim, seu irmão Amaral, gêmeo univitelino e primogênito (nascera cinco minutos antes que Alexandre) decidiu também ir para a cidade grande com o mesmo intuito do irmão. Ele também fora amigo de infância de Helena. Foi o primeiro namorado dela e, outrossim, trocaram juras de amor eterno. Mas ela se apaixonou mesmo foi pelo Alexandre; o que sentia pelo Amaral ficou latente. A princípio, ela estava confusa em relação ao que mais gostava, porém, com o tempo e convivência, identificou-se mais com Alexandre, talvez por ser mais ativo e atencioso. Os gêmeos nunca tinham ficado mais de um mês separados. Sentem falta um do outro, às vezes, competiam entre si, mas sempre um cedia em prol do outro; houve ocasião em que um sentia quando o outro estava doente.
            Alexandre prontamente atendeu ao pedido do irmão de morar com ele. Empregou-se numa empresa de computação em horário comercial. Alexandre, a princípio, ficou meio cioso, uma vez que ele passava a noite trabalhando e Amaral, não.  Os dois ficariam sós neste ínterim, mas achou que tinha que confiar nela (e nele). Passaram-se meses vivendo bem e tranqüilamente, sem nenhuma desconfiança. A vizinhança nunca desconfiou que fossem dois: achava que ele tinha dois empregos e isso era bom porque não causaria comentários maldosos. Porém, depois de algum tempo, Alexandre percebeu que Helena estava muito carinhosa com ele e não falava diretamente com Amaral e este não conversava com ele tête-à-tête. Ficou apreensivo, mas disfarçou. Pensou numa maneira de flagrar os dois. Trocou de turno com um colega de trabalho, saiu como se fosse trabalhar normalmente. Era num sábado, Amaral tinha expediente até meio-dia. Por volta de meia-noite, ele foi até a casa, entrou sorrateiramente, seguiu um ulo arfante que vinha do quarto; a porta estava entreaberta, ele viu tudo, ficou sem ação, sentiu vontade de matá-los, mas os amava. Saiu para o quintal sob um brilho de Lua cheia. Apenas o cricrilar dos insetos quebrava o silêncio. Foi para a penumbra do jambeiro e chorou copiosamente. Olhou para cima e viu os galhos grossos em forquilhas.
            Passou-se algum tempo, Amaral foi tomar banho e viu a porta dos fundos aberta, ficou assustado pensando que fosse ladrão. Sem acender a lâmpada, saiu, viu um vulto de uma pessoa pendurada no galho. Voltou e acendeu a luz. Teve um grande choque quando percebera quem era. Deu um grito de desespero, sentiu remorso, culpa, sentiu-se culpado, sem voz. Helena ouviu e correu na direção. Quando chegou lá, viu a cena funesta: o marido jazido no chão e o cunhado dependurado numa corda amarrada no jambeiro. Ela se julgou criminosa e caiu em prantos tão desesperada que não lagrimava. Beijou o marido, pediu-lhe perdão, depois olhou para uma ponta da corda que sobrava, subiu na árvore, fez um laço, pôs no pescoço e se jogou.