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domingo, 20 de janeiro de 2013

O grito

Desenho de Taciane, minha filha com sete anos.

Durante muito tempo, Daniel foi gerente de vendas de uma grande empresa, mas gostava mesmo era de ser vendedor, em virtude da necessidade de viajar pelo País afora. Recebeu oferta de representação de uma companhia e aceitou imediatamente. Era já um homem quinquagenário, porém, ainda tinha o espírito de aventura. Trajetos como do Rio de Janeiro a São Paulo ou deste a Mato Grosso do Sul, fazia de automóvel próprio. Apesar de residir no Rio de Janeiro, sua área de atuação era a região Centro-Oeste e Norte. Era fascinado por dirigir. Certa feita, ele foi de seu estado a Mato Grosso do Sul por via área até a capital. Após atender um cliente na capital, alugou um carro e foi ter com outro no interior do estado. Atendeu o cliente e, mesmo já sendo quase no lusco-fusco, pretendia voltar para Campo Grande no mesmo dia. Todavia, ao sair, sentiu forte cefaleia e fraqueza em todo corpo, pois foi acometido por uma virose. Procurou ajuda médica, que lhe receitou fortes analgésicos e lhe recomendou repouso imediato. No entanto, renitente, como era, decidiu partir, assim mesmo, à boca da noite. As dores sumiram, entretanto, sentia-se meio grogue. Empós duas horas de autoestrada, já em plena noite, ouviu um grito: “Acorda Daniel”!  O que o despertou. Estava dirigindo na contramão, prestes a colidir com uma carreta. Instintivamente, desviou o carro para a esquerda, contudo, ainda sofreu uma bordoada lateral, que fez descer ladeira a baixo, até parar num barranco, mas sem capotar. Avisaram a polícia rodoviária do acidente e ele foi socorrido com apenas escoriações e hematomas por quase todo corpo. Tempos depois, mesmo ainda cético e agnóstico, foi a uma igreja agradecer a Deus por lhe dar mais chance de continuar vivendo. 

Bento Sales

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Aniversário de 15 anos

Desenho de Taciane, minha filha de sete anos, então com seis.


Há um ano, fui convidado para um aniversário de 15 anos. Ao escrever os votos de felicitação, tive ideia de pôr um poema. Procurei em vários livros e até na internet, contudo, os textos não continham o que eu queria dizer. Então, veio-me uma ideia de fazer um poema que lembrasse parlenda, mas, ao mesmo tempo, passasse uma mensagem para ela. Ficou simples, mas todos gostaram e acabei declamando na festa.  



Ontem lhe conheci princesa
E não foi impressão minha,
Com tamanha beleza,
Esperando ser rainha.

Hoje olho e lhe vejo
Que já começou a brilhar
Realizando seu desejo
Que, na vida, soube aspirar.

Mas continue dando bom exemplo
Para assumir bem sua vida
E conquistar seu templo
Porque merece, querida.

Está fazendo quinze anos,
Na vida, apenas começou
A realizar seus planos
Conforme sempre sonhou.

Começa agora mais uma história
De sucesso e esperança;
Sempre buscando a glória,
Pois não é mais criança.

Precisa mudar as brincadeiras
E também o pensamento,
Crer nas pessoas verdadeiras
Que lhe trazem bom sentimento.

De hoje em diante, tudo que fizer,     
Não é mais para realizar sonho de menina,
Mas sonho de mulher                         
Como almeja e imagina.   


Este poema é uma reedição.         

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Meme: Laço de incentivo à leitura

Imagem do arquivo pessoal


Já comecei o ano bem, pois fui indicado para o meme “Laço de incentivo à leitura”, por meu amigo Rick do blog http://semguarda-chuvas.blogspot.com.br/, que publica seus textos sábios e de extraordinária beleza. Muito obrigado, amigo, pela lembrança! Abaixo está a explicação sobre o meme e suas regras.
Sobre: basicamente se resume a você falar sobre livros. Regras: responder as perguntas: 1 - Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler? 2 - Qual o livro que você não gostou de ler e por quê? 3 - Quais os livros que estão na sua lista de "Quero Comprar, Ou quero emprestado"? 4 - Indicar 10 blogs para fazer o Meme. (é expressamente proibido oferecer o laço "a quem quiser pegar" sem indicar seus blogs primeiro. Ou seja, depois que indicar quem quiser pegar fique á vontade, mas tem que indicar e isso é regra obrigatória... Senão perde a graça, porque geralmente ninguém pega meme por pegar!).  5 - Avisar os blogs que você indicou e colocar a imagem no seu blog para apoiar a campanha.


1 - Qual livro você indicaria para uma pessoa começar a ler? 
R.: “O asno de ouro”, de Lucio Apuleio. Trata-se de literatura latina (ou romana) do século II de nossa era. É um realismo fantástico e cômico com uma linguagem e narrativa leves, o que torna a leitura deliciosa e divertida.


2 - Qual o livro que você não gostou de ler e por quê?
 R.: “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez. Não é que não tenha gostado, mas, digamos, que me compliquei um pouco com a leitura ao ler o livro em espanhol (apesar de ter certo domínio), pois o enredo é extenso e intrincado até para quem o ler em idioma materno. No entanto, terminei a leitura e a experiência foi ótima.


3 - Quais os livros que estão na sua lista de "Quero Comprar, Ou quero emprestado"?
R.: Felizmente, tenho uma biblioteca particular com cerca de dois mil livros e, em razão disso, possuo os principais clássicos da literatura mundial e brasileira, no entanto, desejo adquirir o livro “Orlando Furioso”, de Ludovico Ariosto.


4 - Indicar 10 blogs para fazer o Meme. 
Faço a indicação dos blogs, mas gostaria que ninguém se sentisse obrigado a publicar o meme.

HumorEmConto
 – Cissa Romeu
Pecado Capitalma – Helen
CRONUTOPIA – Dilso Santos
Pintando Haikai – Elisa T. Campos
  Ate Hoje. – Célia
LUCIENE RROQUES - Luciene
Relativa Seriedade – Jacques
"Vendedor de Ilusão..." – J. R. Viviani

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cordel: O dia do fim do mundo

Desenho de Taciane, minha filha com sete anos.
Desenho de Ana Flávia, minha sobrinha com cinco anos.

Fiz este cordel em dois mil em parceria com meu amigo e colega de graduação, Maurício Colares, que é um exímio poeta, para apresentarmos num trabalho sobre a escola literária Trovadorismo, de onde a Literatura de Cordel é oriunda. Então, aproveitando o tema vigente, que era profecia do fim do mundo, fizemos o cordel como exemplo. Como o tema é oportuno, eu o atualizei e o adaptei com o momento. Espero que gostem. Quero desejar (se sobrevivermos) a todos os amigos visitantes do Folhas Soltas um Natal e Ano-novo fartos de saúde, paz, realizações e sonhos que sempre precisamos e merecemos.

Agora caros senhores,
Senhoras e senhoritas,
Vamos prosear de um assunto
Há muito bem badalado:
É do dia do fim do mundo,
Que já tem prazo marcado.

Porém, voltemos um pouco,
Pois preveem o fim do mundo
Desde o nosso surgimento;
Mesmo isso sendo infundo,
Nos causa grande tormento
E sentimento profundo.

Quando Deus criou o mundo,
Era tudo maravilha:
Adão não fazia esforço
De fechar nem a braguilha
E Eva não ia à cozinha
Nem para arear a vasilha.

A única concessão
A uma fruteira foi ter,
Dizendo Deus a Eva e Adão:
 “Dessa não devem comer”,
Mas o homem foi seduzido
 E não resistiu ao prazer.

Então, o homem, nesse dia,
Deixou de ser imortal,
Passando a sobreviver
Do seu labor semanal
E, depois de tanto sofrer,
Teve a morte por final.

Mas, enquanto ela não vinha,
De cilada surpreendente,
“De fome um pouco por dia”
Vive o homem decadente
Nos pecados derramados
Por serem tão calientes.

Deus, então, mandou Noé
Se empenhar na providência
De reunir todas espécies
Na sua arca com muita urgência,
Pois, em suas mãos estaria
A nossa sobrevivência.

Eita, que grande chuvueiro
Passou toda a humanidade
Dentro dessa arca lacrada,
Contrita e com ansiedade
Durante quarenta dias
E noites de tempestade!

Ora, sabeis que a natureza
Tem as suas leis inerentes:
Chegará a morte um dia
A todos entes viventes
E a todos que temos vida
Não há de ser diferente.

E vem o apóstolo João
Fazendo revelações
Sobre uma grande hecatombe
Deletéria das nações,
Que acabará com a Terra
E seus filhos aos bilhões.

Diante dessa profecia,
A humanidade mui intenta
Debalde vaticinar
Nosso fim e fica atenta
À data do apocalipse,
Que muito lhe apoquenta.

Todavia, o Nostradamus
Foi quem mais nos comoveu,
Já que acertou até mesmo
O dia em que ele faleceu
E previu três anticristos:
Um não ainda apareceu.

Pelo Napoleão passamos
E pelo Hitler também
E pelas duas grandes guerras
E por desastres além.
Agora nos indagamos:
Será o que que mais vem?

Então, no dia onze de agosto,
Muita gente fez besteira
Vendendo tudo que tinha,
Pena que eu estava sem eira,
Senão, teria até comprado
DVD, TV, geladeira...

Alguns pularam de pontes,
Abandonando seus clãs;
Outros foram pra Brasília
Levando filhos e mães
Para pedir proteção
Ao Lula e ao Magalhães.

Igrejas havia vendendo
Terrenos no etéreo lar.
Até meu amigo Jeordane
Ainda foi um destes comprar,
Mas não quitou o carnê,
Então, vieram lhe tomar.

E na data prefixada,
Ao espetáculo especial,
Foi todo mundo assistir
A esse show sensacional,
Mas, que decepção: veio apenas
Uma chuvinha normal!

E todos que são descrentes
Do fim sobrenatural,
Fiquem de olho, entretanto,
Ao que nos vem fazer mal:
Os enlatados ianques
E um batonzinho fatal.

Para aqueles que temem,
Fiquem mui bem preparados!
É o conselho que damos
De amigos bem informados,
Pois o dia do fim do mundo
Sempre será remarcado.

É dia vinte e um de dezembro
Deste, é a data, embora
Ainda temos a esperança
De não ser a fatal hora.
Será mais um falso anúncio?
Quem sabe, não é agora?

Trata-se de nosso fim
Como o Calendário Maia
Foi interpretado assim,
Mas é mais uma tocaia
Para nos causar chinfrim,
Que de nós merece vaia?

Pois, saber o fim do mundo
É busca sempre em vão;
Temos é que viver bem
Sem perdermos a razão,
Porque Cristo nos falou
Que virá como um ladrão.

Bento Sales e Maurício Colares.
Manaus, 11/08/2000.